2012-06-11

07:30

Hoje perdi um comboio. Não é que já não me tivesse acontecido, aliás, por diversas vezes perdi comboios pelas mais variadas razões, mas este é especial. É a mesma rotina, o mesmo comboio, a mesma estação, o mesmo destino, mas hoje foi diferente.

Não sei se foi sempre assim, mas posso-me considerar uma pessoa lamechas. Quando era pequeno imaginava passear de mão dada por aqueles locais que servem de fundo aos filmes românticos, jantar nos mesmos sítios que montam o argumento e que ainda hoje não sei se realmente existem, e acabar o dia ao lado da pessoa que me faz feliz. Talvez seja aquilo que gostávamos de ter como um dia perfeito, estendido na pequena mente de quem ainda via a vida de forma simples, mas mesmo assim, lamechas.

Lembro-me de olhar para as pessoas a usarem anéis quando estavam no início de uma relação, no início dos sonhos de uma vida juntos, de um dia poder casar. Olhava para elas e pensava "um dia, quando namorar, também quero usar um".
Anilhados; coisa sem jeito; alianças é só no casamento; algo que só serve para gastar dinheiro e dizer "eu namoro" a quem não se conhece; as críticas são muitas e provavelmente cheias de razão à maioria dos casos e mesmo assim achava uma certa piada à ideia, mesmo estando a cair na gaveta daqueles que ficam felizes de a usar apenas porque amam a outra parte e compram a aliança porque os outros também a compraram

Pode parecer estranho mas sinto necessidade desse pedaço de metal... De ter algo que possa agarrar, que possa de alguma forma mostrar-me aquilo que tem sido construído; sinto falta de olhar para ele e pensar que mesmo sem dias perfeitos, comprometi-me. "it's a covenant"


Sou lamechas, e hoje perdi um comboio. Não quero perder mais...

2012-05-05

Numa mesa de café

Encontro-me neste momento num café, de mesas relvadas e paredes a condizer. Com as artimanhas de bits e bytes, e apesar de este texto nunca ser publicado imediatamente após a sua escrita (a ligação ao mundo, por vezes, é demasiado terrena e não perceptível para quem apenas entende de zeros e uns) digamos que as horas, a data, aquilo que matematicamente define um momento, se manterá fiel à origem do mesmo.

O local, apesar de definido, não é importante. Podia ser um café, um restaurante, um jardim ou uma praia, enfim, uma imensidão de sítios, os quais a minha imaginação não quer descrever. A companhia, por outro lado, essa sim, importa...

Não a descrevo, não encontro palavras. O meu forte é a linguagem das máquinas e não a dos homens. Ifs, then, elses, for whiles e afins, pequenos blocos de tijolo deste universo digital (e se “afins” não faz parte, talvez devesse. Justificar-se-ia como after insert e seria mais uma forma de nos confundir a mente quando impomos a nossa forma de pensar). Não, não sei as palavras e nem o dicionário ajuda. Talvez pudesse programar, mas seria apenas uma fraca demonstração daquilo que não sei fazer.

«irrompes o meu pensamento na ânsia de ler as minhas ideias... tem calma. Não forces o processo criativo de sentir a pressão dos pedaços de plástico impresso.»

Sim, este texto é para ti. Persuadiste-me. Obrigaste-me. Descobriste-me... descobri-me. Lembro-me da fraca analogia de seres o meu posto de turismo, de me levares aonde não conhecia, de me mostrares aquilo que tinha para dar... sim, a analogia é fraca, mas a ideia subjacente não.
E se lá fora temos a estação de comboios, aqueles carris imensos que começam e acabam em locais desconhecidos, contigo viajo para fora deles, ultrapasso os limites que me ensinaram, os limites da minha própria imaginação. Não direi aquilo que tanto te digo. Perdeu valor, tornou-se mundano, igual a tantas outras entoações proferidas por tantos outros seres. Mas sabes, e sentes...

...e eu sentirei contigo.