2006-07-23

Escrever...

...e se é nisto que a maioria dos blogs se baseiam, na escrita de alguém e leitura dos demais, é também nisto que reside parte do problema de o querer manter. É preciso escrever para que haja leitura... para que nos deixemos levar nas palavras de outrem, para algum sítio onde já tenha estado, para algum pensamento partilhado ou simples ideia, para algo imaginável ou até real...
Mas torna-se difícil encontrar um tema em algo que não tem limites... Por mais bits e bytes que possa ter um computador, eles têm um começo e um fim, tornando-se possível encontrar o que quer que eles contenham, mas quando não se conhece os limites da procura, quando estes não existem, procurar torna-se numa jornada que só acaba não quando encontramos o que queremos, mas quando nos dá-mos por satisfeitos...

Hoje milhões de pessoas têm um blog ou um fotolog e para muitos não o ter é como não ter um relógio ou um telemóvel... E se é verdade que em muitos se aprende algo, noutros simplesmente passamos tempo. Mas há algo que me intriga sobre os conteúdos e os comentários... sobre se quem o produz está preocupado no que escreve, no que mostra, quase que para manter uma certa linha lógica que leve a que quem lê não sinta uma ruptura de tópico para tópico mas uma certa continuidade na maneira de pensar, falar, nos temas tratados, ou então, simplesmente falam sobre o seu dia a dia, sobre um dado tema como se cada tópico fosse um episódio de uma série sem ligação para o episódio anterior...
Por outro lado, temos quem lê e comenta... Pergunto-me se em inúmeros casos as pessoas lêem com olhos de ler, se reflectem sobre o que acabaram de ler, se pura e simplesmente têm alguma consciência para o que viram. Quantas vezes já não vi textos geniais sobre algo que deveria de deixar uma pessoa a pensar e logo a seguir, aparecem os mui originais comentários como “tu és linda, grande foto” ou “és mesmo linda, adoro-te” entre muitos outros idênticos... Como se costuma dizer: Qualquer semelhança é pura coincidência... mas a coincidência já está demasiado generalizada.

Comecei a escrever isto sem sabe sobre o que escrever... Podia ter falado do que se passa pelo Médio Oriente, podia ter falado das complicações e divagações da mente... Inúmeras coisas nas quais já há muito que venho a pensar, e falar de uma apenas torna-se difícil pois se por um lado estão ligadas, por outro são assuntos diferentes que requerem uma análise diferente...
Mas desse tipo de coisas, já temos a cabeça cheia pelo que se vai passando no dia a dia...
Fica então aqui, algures onde eu não sei, a minha intriga sobre o que eu próprio tento manter. No entanto, ainda me fica uma pergunta no ar: Será que as pessoas preferem ter um blog em que apareça muita gente e deixe respostas que bem poderiam ser retiradas de um livro “Repostas genéricas aos Blogs em 30 segundos”, ou preferem que seja apenas meia dúzia de pessoas a ver, mas que sabem que vão acabar por reflectir ou guardar algo do que leram e apenas comentam quando acharem necessário?...
Prefiro ficar-me pela segunda...

2006-06-20

Amigos...


Observo este mundo. Não há um dia onde não se veja violência nele... Não há um dia onde não se veja uma guerra no fundo da rua... um atentado na casa ao lado... assaltos, corrupção, mortes, mesmo no nosso quintal.
Leio o jornal... Tratados Humanos violados por países para os quais as suas leis neles se assentam mas que são usados sobre a velha frase “a justiça é para todos, mas é mais para uns do que para outros”... Conflitos sobre o poder do nuclear, sobre o poder político nele instaurado, sobre o poder psicológico das bombas actuais e das subjacentes a estas...
Podia pintar um quadro assim, mas não estaria a aproveitar todas as cores, toda a tela que disponho. Apesar de tudo há algo, que independente do nosso futuro e do que façamos com ele, independente das nações, dos reis e governantes, há algo que ficará para sempre enquanto existirmos: a amizade. A amizade que une duas pessoas, um grupo de amigos...
Podia falar do amor, mas existem tantas formas dele que é quase impossível defini-lo... além disso, nem sempre encontramos aquilo a que chamamos de amor... aquele sentimento que sentimos por alguém que poder ser tão forte e tão frágil ao mesmo tempo... Ter amigos porém... os verdadeiros amigos... aqueles que nos sabem apoiar e chamar a atenção... aqueles que tanto dizem palavras de carinho como nos fazem relembrar os velhos raspanetes dos nossos pais... esses vão-nos acompanhando ao longo da vida... Mesmo quando não os vemos eles estão lá para nos apoiar. E quando algo corre bem, se olharmos para trás vamos ver que não estivemos sozinhos... em algum ponto um amigo nos ajudou... um amigo disse algo que não nos deixou desistir...

Por vezes dizem que mudamos... que não somos mais os mesmos... mas todos mudam. As únicas pessoas que não mudam são aquelas que se sentam no sofá, ligam a TV da vida, e limitam-se a vê-la passar. Sem interagir... sem questionar... simplesmente vêm-na passar...

Os amigos nem sempre se aturam... nem sempre estão de acordo... nem sempre estão para falar... por vezes chateiam-se... mas apesar de tudo, a amizade persiste...
Podemos amar imensamente alguém, mas esse amor nem sempre durará... a amizade, por outro lado, ficará sempre presente...

PS: A foto, não tem qualquer alteração... calhou mesmo assim... os unicos a quem posso agradecer, são aqueles quatro e todos os outros presentes naquele belo dia : )