2006-03-27

Regresso...



Depois de algum tempo regressei a este lugar...
Regressei como quem regressa a casa, desprovida de alguém durante dias e dias. Olho em volta... Observo o pó acumulado nos móveis, as marcas de quem tentou espreitar pela janela na tentativa de ver algo, as cadeiras imóveis, os livros no mesmo lugar...

Tudo parece na mesma, mas uma coisa mudou - O tempo. Não o tempo do sol, da chuva, do frio e do calor mas o tempo do espaço, da vida, do sentir, do amar e do sofrer.
Volto a olhar. Observo o relógio, parado. Por momentos desejo que o tempo tenha ficado preso como um momento numa fotografia mas o manto cinza que cobre toda a casa diz-me o contrário. É algo novo que não estava quando saí... Tão novo, tão velho, eu conheço-o bem... Outros tantos cobriram momentos, partes da minha vida que não deveriam de ter ficado paradas no tempo.

Abro a janela. Uma brisa suave irrompe pela sala a dentro levando o pó consigo. Vejo cor no que outrora era cinzento... Vejo o sol onde antes estavam nuvens...
Não vou deixar que este manto desça outra vez sobre mim.

2006-02-10

“Tou sempre bem”

E é com esta frase que respondo sempre que perguntam como estou... mas apesar do seu sentido, a cada dia que passa vai perdendo o brilho. O brilho que outrora correspondia ao sentimento perde-se na imensidão do presente...

A verdade é que vou vivendo numa contradição. Estou cansado sem fazer nada. Estou triste apesar de quase tudo correr bem. Não sinto vontade de escrever e no entanto, as palavras vão surgindo... mas devagar.

A minha mente tem vagueado pelo passado. A cada objecto, a cada imagem, a cada olhar um turbilhão de recordações assombram o pensamento. “Arrependo-me” – A palavra que mais surge no meio de tudo. Comecei a tocar piano aos 6 anos, mas acabei por desistir. Desisti porque não tinha tempo. O mesmo tempo que desperdiçamos ao fazer coisas inúteis... o mesmo tempo que deitamos fora a fazer nada. Hoje arrependo-me, tal como arrependo-me de tantas outras coisas que se pudesse voltar atrás alterava! Não posso, e muito provavelmente não faria nada.

Estou a perder parte da minha vida, parte da minha história... mas por mais que tente mentalizar-me que a vida continua, quero voltar atrás... quero viver momentos que não sejam apenas memórias como outros que o são agora. Acho que isso tem-me despertado para o que deixei para trás, para tudo o que não fiz com a desculpa de não ter tempo. Tenho todo o tempo do mundo...


Ainda posso estar contigo, mas já sinto a tua falta...